quinta-feira, 18 de abril de 2013

Para fazer o retrato de um Pássaro

Pintar primeiro uma gaiola
com a porta aberta.
Pintar depois alguma coisa bonita,
alguma coisa simples,
alguma coisa bela,
alguma coisa útil para o pássaro.
Encostar depois a tela a uma árvore num jardim,
num parque
ou numa floresta.
Esconder-se atrás da árvore
sem dizer nada, sem se mexer…
Por vezes o pássaro chega depressa,
mas pode também demorar longos anos até se decidir.
Não desanimar;
esperar,
esperar durante anos,
se necessário,
pois não importa
que o pássaro chegue depressa ou que demore,
para se conseguir
um bom quadro.
Quando o pássaro chegar, se chegar,
manter o mais profundo silêncio,
esperar que o pássaro entre na gaiola,
e quando tiver entrado
fechar suavemente
a porta com o pincel.
Depois,
apagar uma a uma todas as barras,
tendo o cuidado de não tocar em nenhuma das penas do pássaro.
Fazer depois o retrato da árvore,
escolhendo o mais belo dos seus ramos para o pássaro.
Pintar também a verde folhagem
e a frescura do vento,
a poeira do sol
e o zumbido dos insetos no calor do verão
e depois esperar que o pássaro se decida a cantar.
Se o pássaro não cantar é mau sinal,
sinal de que o quadro é mau.
Mas se cantar
é bom sinal,
sinal de que podes assinar.
Então, arranca muito suavemente uma das penas do pássaro
e escreve o teu nome num canto do quadro.
(Amanhã podes pintar outro.)

Jacques Prévert
Para fazer o retrato de um Pássaro

Caio Henrique

quarta-feira, 17 de abril de 2013

«Com Unhas e Dentes», Luís Filipe Parrado


Estar vivo
é abrir uma gaveta
na cozinha,
tirar uma faca de cabo preto,
descascar uma laranja.
Viver é outra coisa:
deixas a gaveta fechada
e arrancas tudo
com unhas e dentes,
o sabor amargo da casca
de tão doce,
não o esqueces.

20 poemas de amor e uma canção desesperada: Poema 14, Pablo Neruda




Brincas todos os dias com a luz do Universo.
Subtil visitadora, chegas na flor e na água.
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto
como um cacho entre as mãos todos os dias.
Com ninguém te pareces desde que eu te amo.
Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas.
Quem escreve o teu nome com letras de fumo
entre as estrelas do sul?
Ah, deixa-me lembrar como eras então,
quando ainda não existias.
Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada.
O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios.
Aqui vêm soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.
Passam fugindo os pássaros.
O vento. O vento.
Eu só posso lutar contra a força dos homens.
O temporal amontoa folhas escuras
e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.
Tu estás aqui. Ah tu não foges.
Tu responder-me-ás até ao último grito.
Enrola-te a meu lado como se tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha
pelos teus olhos.
Agora, agora também pequena, trazes-me madressilva,
e tens até os seios perfumados.
Enquanto o vento triste galopa matando borboletas
eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.
Quanto te haverá doído acostumares-te a mim,
à minha alma selvagem e só,
ao meu nome que todos escorraçam.
Vimos arder tantas vezes a estrela d'alva beijando-nos os olhos
e sobre as nossas cabeças destorcem-se os crepúsculos
em leques rodopiantes.
As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do Universo.
Vou trazer-te das montanhas flores alegres, "copihues",
avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.
Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejeiras.
Shell Greenier

Oksana Grivina


A Dra Sandra Vinagre, professora de Matemática na Universidade de Évora, visitou mais uma vez a nossa BE para nos muscular o cérebro.




terça-feira, 2 de abril de 2013

Dia Internacional do Livro Infantil, Hans Christian Andersen


           O escritor dinamarquês de literatura infantil mundialmente conhecido, nasceu a 2 de abril de 1805 em Odessa e morreu a 4 de agosto de 1875 em Copenhaga, Dinamarca.
           Aos 11 anos, depois da morte do seu pai, que era sapateiro, foi viver para Copenhaga onde estudou canto e dança. Andersen trabalhou no Teatro Real como bailarino e ator. E ainda escreveu algumas peças de teatro.
            Em 1828, entrou na Universidade de Copenhaga.
            Passaram 5 anos e em 1833 publicou os seus primeiros romances. Escreveu obras dramáticas, diários, apontamentos de viagens e romances. Em 1835 começou o reconhecimento internacional com o seu romance: O Improvisador.
            Também escreveu: Nada como um menestrel, Livro de imagens sem imagens e O romance da minha vida (autobiografia em 1847).
            Andersen ficou mundialmente conhecido pelos contos de literatura infantil que escreveu, o que era muito raro na sua cidade.
            As suas obras mais famosas foram: ”A Pequena Sereia” e o “Patinho Feio” onde se nota que ele se baseava na sua própria história.
            Andersen tentava que as pessoas adotassem as morais que sempre escrevia nos seus livros.
            Em 1872, Andersen ficou muito doente e viria a morrer em 1875. A data do seu nascimento é utilizada para assinalar o Dia Internacional do Livro Infanto- Juvenil.

Víctor Vidal 6ºG nº23