segunda-feira, 16 de maio de 2016

O subdepartamento em grande

Departamento de Línguas – Subdepartamento de Português

Ciclo de Conferências
“Avaliação em Análise”

Com o objetivo de contribuir para uma reflexão conjunta sobre os desafios que se colocam aos docentes, no que concerne à problemática da avaliação discente, o Subdepartamento de Português promove o Ciclo de Conferências “Avaliação em Análise”, aberto à participação de todos os docentes do Agrupamento.

3.ª Conferência:
18 de maio, 16h
Anfiteatro da Escola Secundária Gabriel Pereira

Doutora  Anabela Costa Neves: “Avaliar é preciso?”

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Operação Nariz Vermelho, dia 1 de junho! Estamos quase!

Ajude, vai ver que também lhe faz bem!

A Lenda da Quinta de Santo António, Margarida Pedrosa

Conta a lenda que no tempo em que a fome percorria os campos, viveu nessa quinta uma mulher forte e lutadora que criou sozinha três filhos. O seu corpo era seco e vigoroso e trabalhava com a força de um homem. Um dia a doença bateu-lhe à porta e ela, sentindo que a sua tarefa estava terminada, aceitou-a e deixou-se partir com ela. Antes de morrer reuniu os sus filhos e disse-lhes:
“ Nestas terras há um grande tesouro, aquele que o encontrar ficará rico, construirá uma grande casa e será feliz por muitos anos. Abençoo-vos e peço que nas vossas vidas façam sempre as melhores escolhas.”
A mãe partiu e a mensagem ficou.
Os filhos desejavam encontrar o tesouro.
O mais velho desistiu rapidamente. O do meio considerou que a pobre mãe só pobre mãe só poderia estar em delírio, na vida pobre que levara, o que poderia ter deixado? Por isso deixou os campos e foi para o exército. O mais novo sempre acreditou nas palavras da mãe, o tesouro estaria enterrado em algum lugar, por isso, com as suas mãos ainda fracas de jovem rapaz, começou a cavar as terras e à medida que ia avançando ia lançando sementes.
Em maio, quando pouco faltava para acabar de revolver os campos deixados ao abandono durante a doença da mãe, encontrou na terra uma panela velha de cobre. Só poderia ser o tesouro!
Foi com desânimo que viu que lá dentro só estava um papel empoeirado bem dobrado que dizia: “Meu filho, o tesouro que procuraste, está em ti. Está no teu empenho, no teu trabalho, na tua entrega e na tua capacidade em acreditar.”
O rapaz olhou em seu redor, nos campos a seara já estava a crescer e voltou a ouvir as palavras da mãe: ali construíra uma grande casa onde seria feliz por muitos anos.

A lenda termina contando que naquele lugar viveu um homem que viveu feliz por muitos anos, rodeado da sua mulher e filhos, esse homem tinha sido o jovem rapaz que acreditara em si, nas palavras da mãe e na forte determinação em vencer. Todos os seus descendentes sempre recordaram a mensagem deixada: o verdadeiro tesouro de uma vida está em nós.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Maio que não der trovoada, não dá coisa estimada.


Dia Internacional da Família -15 de Maio de 2016 (domingo)

O Dia Internacional da Família é celebrado anualmente a 15 de maio.
A data foi escolhida pela Assembleia Geral da ONU, que proclamou o dia 15 de maio como Dia Internacional da Família.
A celebração do Dia Internacional da Família visa,entre outros objetivos, destacar:
  • A importância da família na estrutura do núcleo familiar e o seu relevo na base da educação infantil;
  • Reforçar a mensagem de união, amor, respeito e compreensão necessárias para o bom relacionamento de todos os elementos que compõem a família;
  • Chamar a atenção da população para a importância da família como núcleo vital da sociedade e para seus direitos e responsabilidades desta;
  • Sensibilizar e promover o conhecimento relacionado com as questões sociais, económicas e demográficas que afetam a família.
O primeiro Dia Internacional da Família foi celebrado em 1994.


segunda-feira, 2 de maio de 2016

II Festival de Teatro da Rede de Bibliotecas de Évora (RBEV) www.rbev.uevora.pt

II Festival de Teatro da Rede de Bibliotecas de Évora (RBEV)
www.rbev.uevora.pt

6 e 13 de maio - Escola Secundária Gabriel Pereira

A Escola Secundária Gabriel Pereira, sede do Agrupamento de Escolas nº 2 de Évora e da RBEV, acolhe a realização II Festival de Teatro Escolar, nos dias 6 e 13 de maio.
            Um dos grandes objetivos da Rede de Bibliotecas de Évora (RBEV), uma das maiores redes do país, integrando bibliotecas escolares, municipais e universitárias (www.rbev.uevora.pt), é a promoção e integração das bibliotecas escolares na comunidade. Este festival reúne os contributos cénicos dos quatro agrupamentos de escolas de Évora, abrangendo a esmagadora maioria da comunidade escolar da cidade.
            Estarão em cena, ao longo dos dois dias do festival, nove grupos de teatro escolar, um dos quais composto por docentes, alunos e assistentes operacionais do Agrupamento de Escolas nº 2 de Évora com sede na Escola Secundária Gabriel Pereira. Subirão ao palco, ao longo do evento, 135 atores com idades compreendidas entre os 7 e 50 anos.
            A organização do evento é assegurada por duas comissões.
            A comissão executiva é liderada pela biblioteca Gabriel Pereira (AGE2) e nela participam a direção do agrupamento, os professores bibliotecários e os responsáveis pela área de expressão dramática.       

            A comissão organizadora é composta pelos professores bibliotecários das bibliotecas Gabriel Pereira (AGE2), Ferreira Patrício (AGE1), Santa Clara (AGE3), Bairro da Câmara e Rossio (AGE2), e André de Gouveia (AGE4).
Grupo de teatro escolar em ação no 1º Festival de Teatro da Rede de Bibliotecas de Évora, que teve lugar na Escola Secundária Gabriel Pereira, em 21 e 28 de maio de 2010.

Programa

Dia 6 de maio
Hora
Peça
Agrupamento
Grupo
17.15
O nadadorzinho
Agrupamento de Escolas Manuel Ferreira Patrício
(Biblioteca da EB 2/3)
Mãozinhas
17.30
Vem aí o Zé das Moscas
Agrupamento de Escolas Manuel Ferreira Patrício(Biblioteca da EB 2/3)
Mãozinhas

Intervalo
18.30
História da Carochina
Agrupamento de Escolas nº 2 de Évora (Biblioteca da EB1 do Rossio)
Teatro do Rossio
18.45
História breve da Lua
Agrupamento de Escolas Severim de Faria (Biblioteca da EB 2/3 Santa Clara)
O Lado C da Lua

13 de maio
Hora
Peça
Agrupamento
Grupo
18.00
História breve da Lua
Agrupamento de Escolas Severim de Faria (Biblioteca da EB 2/3 Santa Clara)
O Lado D da Lua
18.30
Os ovos misteriosos
Agrupamento de Escolas nº 2 de Évora (Biblioteca da EB1 do Bairro da Câmara)
Os Pimpolhos
18.45
A morte
Agrupamento de Escolas nº 2 de Évora (Biblioteca da Escola Secundária Gabriel Pereira)
Temporal

Intervalo
Hora
Peça
Agrupamento
Grupo
20.00
Sete e o meu Blackie
Agrupamento de Escolas nº 4 de Évora (Biblioteca da Escola Secundária André de Gouveia)
GATAPUM
21.30
Sonho de uma noite de verão: work in progress
Agrupamento de Escolas nº 4 de Évora (Biblioteca da Escola Secundária André de Gouveia)
(In) temporal


quinta-feira, 21 de abril de 2016

O IPDJ.IP e a BE a namorar com «fair play» durante o mês da abril com os alunos do 8º ano


A violência nas relações de intimidade tem, muitas vezes, inicio no namoro entre jovens e traduz-se numa relação desigual em que um dos elementos do casal pretende, através da violência, dominar e controlar a outra pessoa.

Esta ação de voluntariado pretende:

Prevenir a vitimização de jovens e a violência  com base nas desigualdades de género;
Combater a violência no namoro que afeta os elementos mais permeáveis da nossa sociedade;
Sensibilizar jovens para as questões da Igualdade de Género;
Eliminar estereótipos de género promovendo uma cultura de não-violência e cidadania participativa.

O 25 de Abril por Eduardo Gageiro






25 de abril, a partir da Visão Júnior


Fotografia de Eduardo Gageiro
     «25 de Abril de 1974. De madrugada, militares do MFA ocuparam os estúdios do Rádio Clube Português e, através da rádio, explicaram à população que pretendiam que o País fosse de novo uma democracia, com eleições e liberdades de toda a ordem. E punham no ar músicas de que a ditadura não gostava, como Grândola Vila Morena, de José Afonso.Ao mesmo tempo, uma coluna militar com tanques, comandada pelo capitão Salgueiro Maia, saiu da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, e marchou para Lisboa. Na capital, tomou posições junto dos ministérios e depois cercou o quartel da GNR do Carmo, onde se tinha refugiado Marcelo Caetano, o sucessor de Salazar à frente da ditadura.Durante o dia, a população de Lisboa foi-se juntando aos militares. E o que era um golpe de Estado transformou-se numa verdadeira revolução. A certa altura, uma vendedora de flores começou a distribuir cravos. Os soldados enfiavam o pé do seu cravo no cano da espingarda e os civis punham a flor ao peito. Por isso se falava de Revolução dos Cravos. Foram dados alguns tiros para o ar, mas ninguém morreu nem foi ferido.Ao fim da tarde, Marcelo Caetano rendeu-se e entregou o poder ao general Spínola, que, embora não pertencesse ao MFA, não pensava da mesma maneira que o governo acerca das colónias.Um ano depois, a 25 de Abril de 1975, os portugueses votaram pela primeira vez em liberdade desde há muitas décadas.»

segunda-feira, 18 de abril de 2016

          O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare, entre outros. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo.




«A imortal história do Cavaleiro da Triste Figura, que acompanhado pelo seu fiel escudeiro, Sancho Pança, avança por montes e vales, lutando contra moinhos de vento e cavaleiros imaginários em nome da justiça. Retrato do anti-herói, Dom Quixote, o fidalgo enlouquecido, representa a capacidade de transformação do homem em busca dos seus ideais.
Este grande livro é muito mais do que um romance de cavalaria. Pelo contrário, ao satirizar os romances de cavalaria em voga ao longo dos séculos XVI e XVII, o Dom Quixote afirma-se como o clássico fundador do romance moderno. O humor, as digressões e reflexões, a oralidade nas falas e a metalinguagem marcaram o fim da Idade Média na literatura.
Repleto de aventuras e situações fantásticas, este tem sido considerado um livro inesquecível para sucessivas gerações de leitores.»




«Poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-Upon-Avon, e falecido em 1616. O seu aniversário é comemorado a 23 de abril e sabe-se que foi batizado a 26 de abril de 1564. Stratford-Upon-Avon era então uma próspera cidade mercantil, uma das mais importantes do condado de Warwickshire. O seu pai, John Shakespeare, era um comerciante bem sucedido e membro do conselho municipal. A mãe, Mary Arden, pertencia a uma das mais notáveis famílias de Warwickshire. Shakespeare frequentou o liceu de Stratford, onde os filhos dos comerciantes da região aprendiam Grego e Latim e recebiam uma educação apropriada à classe média a que pertenciam. São conhecidos poucos factos da vida de Shakespeare entre a altura em que deixou o liceu e o seu aparecimento em Londres como ator e dramaturgo por volta de 1599.»

Dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Falemos de Metas, um artigo de Maria Regina Rocha, no Público

«Os novos documentos programáticos da disciplina de Português, quer no Ensino Básico quer no Ensino Secundário, contêm directrizes que estabelecem, de forma clara e precisa, os desempenhos que, por princípio, os alunos devem evidenciar em cada ano de escolaridade.

É sabido que, com a formulação de objectivos, se descreve de uma forma genérica o que se pretende que seja atingido e que, com a formulação de metas, se especifica, se concretiza, se definem etapas, se marca o tempo, se mede (no caso de ser mensurável) a realização pretendida. No que diz respeito ao ensino, as metas são, assim, constituídas por descritores de desempenho que apresentam precisamente as realizações que o aluno deverá revelar no final de cada ano lectivo, para que o professor, os pais e o próprio aluno saibam que a aprendizagem se está a concretizar.
Especificando, no caso do português, por exemplo, no 2.º ano, correspondente ao objectivo 8 (“Compreender o essencial dos textos escutados e lidos”), são enunciados vários descritores de desempenho, de que se transcrevem três: “Antecipar conteúdos com base no título e nas ilustrações”, “Interpretar as intenções e as emoções das personagens de uma história” e “Fazer inferências (de sentimento – atitude)”. Para esta faixa etária, considera-se, então, que uma criança com um desenvolvimento cognitivo dentro da média e um ensino adequado deverá ser capaz de, até ao final do ano lectivo,
– ao ler o título do texto, ou ao analisar a ilustração, formular algumas hipóteses coerentes sobre o conteúdo do texto que vai ler;
– ao observar o que é referido sobre uma personagem (descrição do aspecto, atitudes, etc.), saber dizer o que é que a personagem pretende ou como é que ela se sente;
– ao observar o comportamento de uma personagem, compreender o que ela está a sentir (por exemplo, se a personagem bate palmas espontaneamente ao receber uma notícia, o que é que ela estará a sentir?).
Estes três descritores de desempenho não são mais do que metas por meio das quais se especifica o que o aluno deve revelar para mostrar que está a “compreender o essencial de um texto” (o objectivo acima referido).
No ensino, as metas caracterizam-se, então, como desempenhos
1) protagonizados pelo aluno;
2) até ao final do ano lectivo a que dizem respeito;
3) formulados de forma específica, objectiva, clara;
4) realistas, isto é, alcançáveis, mas simultaneamente algo desafiadores; e
5) mensuráveis, ou seja, que podem, de algum modo, ser medidos ou avaliados qualitativa ou quantitativamente.
Como foi questionada, num ou noutro artigo de opinião, a validade das metas que indicam velocidade de leitura, talvez valha a pena esclarecer este assunto.
Por exemplo, no 1.º ano de escolaridade, respeitante ao objectivo 7 (“Ler textos em voz alta”), entre outros descritores de desempenho surge o seguinte: “Ler um texto com articulação e entoação razoavelmente corretas e uma velocidade de leitura de, no mínimo, 55 palavras por minuto.”
Para se compreender bem o valor e a importância deste descritor de desempenho, deverá referir-se que a necessidade de que o aluno leia com fluência é consensual entre os especialistas em aprendizagem da leitura, havendo diversos artigos, nacionais e estrangeiros, em que se especifica o número mínimo de palavras a ler por minuto em cada um dos anos de escolaridade. Um aluno deverá adquirir o automatismo da leitura adequado ao seu nível etário, mediante um ensino adequado. Por exemplo, há mais de uma década já se divulgavam em Portugal estudos (bem anteriores) que salientavam essa necessidade imperiosa de ensinar a ler com velocidade, explicando-se que “A fluência de leitura, ou seja, a precisão e rapidez na descodificação, constitui um dos factores responsáveis pela compreensão daquilo que é lido, sendo determinante não apenas nas fases iniciais de aprendizagem da leitura, mas continuando a assumir um importante papel na compreensão, mesmo para os leitores não principiantes. (…) São a rapidez e precisão na descodificação que determinam a compreensão, e não o contrário” [1].
Acrescente-se que a fluência de leitura é a ponte entre a leitura e a compreensão, sendo avaliada por três indicadores: a velocidade (número de palavras por minuto), a precisão (ausência de erros) e a prosódia (cadência, entoação, ritmo). Um aluno fluente lê com desembaraço, com entoação adequada, com ritmo e cadência, sem errar, gaguejar ou silabar.
Há, pois, momentos para o aluno adquirir velocidade na leitura, outros para treinar a precisão e a prosódia, outros, ainda, para, lentamente, reler o texto e fazer exercícios de compreensão; e nada disto é incompatível, mas, sim, complementar.
E é fundamental que o professor e os pais tenham plena consciência de que, se um aluno não tiver velocidade de leitura, isto é, se não ler de forma automática (se soletrar, por exemplo), não lê verdadeiramente, não é capaz de estudar, e que isso comprometerá as suas aprendizagens futuras, visto que a maior parte do conhecimento escolar advém da leitura, do estudo.
O alcance desta meta até pode ter o contributo dos pais, que podem pedir ao filho que todos os dias lhes leia durante um minuto uma passagem de um texto (adequado ao seu nível etário, como é lógico). Testemunhos que nos chegam revelam que crianças assim estimuladas estão cada vez a ler com mais rapidez e melhor. O que importa é que, no final do ano, a criança seja capaz de ler aquele mínimo de palavras indicado. Se tal não acontecer, isso deverá suscitar um alerta no professor e nos pais (A criança vê bem? Ouve bem? Articula bem?...), de modo a que haja uma solução atempada para o eventual problema.
Quanto à questão, também por vezes levantada, sobre o que deverá acontecer se o aluno não atingir uma das metas, ela não é muito compreensível, pois, como no 1.º ano de escolaridade há 69 descritores de desempenho (a trabalhar em sensivelmente 230 tempos lectivos previstos para o Português), claro que o aluno, à semelhança do que acontece em qualquer tipo de avaliação, não fica retido se não revelar um dos desempenhos previstos…
Concluindo, os novos documentos programáticos da disciplina de Português, quer no Ensino Básico quer no Ensino Secundário, contêm, pois, directrizes que estabelecem, de forma clara e precisa, os desempenhos que, por princípio, os alunos devem evidenciar em cada ano de escolaridade. Assim, os professores e os pais sabem o que se espera dos alunos e poderão ajudá-los na sua aprendizagem, pois têm ao seu dispor referenciais exactos de ensino e de avaliação, que são, precisamente, as metas.
[1] Snow, Burns and Griffin (1998), Preventing reading difficulties in young children, citados por Inês Sim-Sim, Ler e Ensinar a Ler (2006), p. 53.
Professora, com formação em Filologia Românica e em Ciências da Educação, co-autora dos Programas e Metas Curriculares de Português»

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Abril águas mil


Madalena Matoso


Afonso Cruz


Mistério, Florbela Espanca



Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

Mário Quintana

Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...

E continua a chover...

Cai a chuva, ploc, ploc
corre a chuva ploc, ploc
como um cavalo a galope.
Enche a rua, plás, plás
esconde a lua, plás, plás
e leva as folhas atrás.
Risca os vidros, truz, truz
molha os gatos, truz, truz
e até apaga a luz.
Parte as flores, plim, plim
maça a gente plim, plim
parece não ter mais fim.
Em: A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca, Luísa Ducla Soares, Teorema: 1990