terça-feira, 18 de outubro de 2016

«Velhas Árvores», Olavo Bilac

http://www.yelenabryksenkova.com/

Olha estas velhas árvores, mais belas 
Do que as árvores novas, mais amigas: 
Tanto mais belas quanto mais antigas, 
Vencedoras da idade e das procelas... 

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas 
Vivem, livres de fomes e fadigas; 
E em seus galhos abrigam-se as cantigas 
E os amores das aves tagarelas. 

Não choremos, amigo, a mocidade! 
Envelheçamos rindo! envelheçamos 
Como as árvores fortes envelhecem: 

Na glória da alegria e da bondade, 
Agasalhando os pássaros nos ramos, 
Dando sombra e consolo aos que padecem! 

Olavo Bilac, in "Poesias" 

«Não tenho pressa», Alberto Caeiro


Não tenho pressa. Pressa de quê? 
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos. 
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas, 
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra. 
Não; não sei ter pressa. 
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega - 
Nem um centímetro mais longe. 
Toco só onde toco, não aonde penso. 
Só me posso sentar aonde estou. 
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras, 
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa, 
E vivemos vadios da nossa realidade. 
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Os poemas

Os Poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

Mário Quintana
Madalena Matoso

Mês Internacional da Biblioteca Escolar 2016


Este é o tema definido pela International Association of School Librarianship (IASL) para o Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE).

Para 2016, o Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares estabelece 24 de outubro como Dia da Biblioteca Escolar em Portugal.

O concurso de ideias “Aprende a descodificar o teu mundo” é a iniciativa que a RBE lança este ano para assinalar o MIBE. 

A biblioteca escolar faz parte do nosso mundo e se olharmos para ela com atenção, se percebermos o seu funcionamento, se a descodificarmos, seremos capazes de ter ideias que ajudem a torná-la (ainda) melhor.

O desafio consiste em apresentar uma ideia inovadora, que se consubstancie na criação de um produto ou ideia de melhoria de um serviço, relacionado com uma das áreas de trabalho da biblioteca escolar.

Até 31 de outubro, os alunos são desafiados a pôr a sua criatividade em ação e a apresentar uma ideia. Cada agrupamento/ escola não agrupada pode candidatar-se a este concurso, com a proposta que considerar melhor, de acordo com o regulamento anexo. A ideia vencedora, bem como os seus autores, serão premiados. 

'Bora jogar xadrez?


«Livros à procura de leitores»


     A biblioteca da EB André de Resende está a organizar um clube de leitura intitulado «Livros à procura de leitores». Na EBAR, este clube funcionará às 2ªs feiras, das 14h00 às 14h30, com periodicidade quinzenal, a partir da próxima 2ª feira, dia 17 de outubro.
     APARECE!


terça-feira, 27 de setembro de 2016

O rei faz anos, Pedro Vieira

Encontrar o presente perfeito para oferecer a um Rei que tem tudo é a tarefa de um criado que não tem nada a perder. Se for bem sucedido, um futuro risonho e próspero espera por ele.Pelo menos, é essa a promessa do Rei.

Portugueses

Portugueses:
gente ousada
gente usada
Brandos usos:
abusos grandes
e pequenos

Adília Lopes

João Vaz de Carvalho

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Estamos de regresso, mas na «casa nova»!

           2016/2017, um novo ano letivo cheio de expectativas. Escola nova, BE nova, gente nova... Um novo mundo a descobrir. Vamos entrar na nova BE! Há sempre uma boa razão para uma visita.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Esta é a nossa última publicação, vamos de férias dia 9! Bom trabalho para quem tem exames! Boas férias e boas leituras!




«Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. É possível, porque tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo.» Jorge de Sena


Todos juntos na BE, porque ler faz a diferença: os nossos piratas, o Manuel, a Joaquina e o Capitão. Nos aguardem!



«Apresentação A Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e o Plano Nacional de Leitura (PNL), em articulação com a Direção de Serviços de Educação Especial e de Apoios Socioeducativos (DSEEAS) da Direção Geral de Educação, lançam a candidatura nacional Todos Juntos Podemos Ler. Objetivos a) Dotar as bibliotecas escolares de recursos adequados, em diferentes formatos acessíveis aos alunos com necessidades educativas especiais (NEE); b) Desenvolver boas práticas de promoção da leitura, tendo em conta as capacidades e necessidades individuais dos alunos.» in http://www.rbe.min-edu.pt/np4/np4/?newsId=1245&fileName=aviso_abertura_tjpl15.pdf


        A turma C do 6º ano redigiu um final alternativo para a obra Os Piratas de Manuel António Pina para ser representado como teatro de fantoches. Os fantoches foram criados com o professor Rogério Coelho, professor de Educação Tecnológica. Os fantoches foram vestidos numa parceria extraodinária: a Joaquina foi vestida pela mãe da Beatriz Judas. Os fatos do Manuel e do Capitão foram «talhados» pela nossa querida professora Patrícia Lucas e cosidos pela nossa ainda mais querida D. Rosa Rosinha. Queremos ainda agradecer a preciosa colaboração do pai da Beatriz que, com uma paciência imensa, num dia de tanto calor, fez o favor de fazer as filmagens.
      O trabalho será apresentado em formato digital à RBE. 
     A equipa da BE agradece, desde já, a todos os intervenientes neste processo, lamentando a ausência forçada da nossa professora Bibliotecária, Isabel Bravo, que tanta falta nos tem feito... mas esperando que tudo lhe corra bem, pelo melhor!



OS PIRATAS, a partir da obra Os piratas de Manuel António Pina
(continuação e final)

Os piratas avançam e chegam a terra, tomando-a de surpresa.

Capitão – Vamos, homens! Apanhem-nas todas! Não deixem nenhuma em terra. Nenhuma pode escapar!

Os piratas capturam as mulheres que ali vivem, prendem-nas, levam-nas para o barco e amarram-nas aos mastros. As mulheres gritam e choram.

Piratas – Vamos lá a calar! Ou se calam ou atiramos-vos da prancha! 

Joaquina – O que querem de nós? O que vão fazer connosco? Somos pobres! Não temos nada que seja valioso!

Capitão – Vamos vender-vos como escravas. Ainda nos dão a ganhar uma pipa de massa.

O Manuel, ao ver a mãe Joaquina presa, fica aflito, e tenta libertá-la, enquanto fala com ela sussurrando.

Manuel – Mãe, estou aqui! Consegues ouvir-me? 

Mas o capitão descobre-o e lança-se sobre ele com a sua espada.

Capitão – Ó paspalho, seu grumete traidor! Vais pagá-las.

Manuel – Não vais conseguir apanhar-me!

O Manuel, como é pequeno, desvia-se facilmente e apanha uma espada que se encontra caída no chão, com muita agilidade.

Manuel – Ah, ah! Agora é que é! Estás feito ao bife! Vou cortar-te às postas! 

Manuel corta a corda a uma das mulheres que, entretanto, consegue libertar as outras todas, enquanto o capitão continua a perseguir o Manuel.

Joaquina – Vamos, amigas, a hora é nossa! Ao ataque!

As mulheres libertadas deitam a mão a várias espadas que se encontram no barco e atacam a tripulação, atirando os piratas ao mar.

Capitão – Os meus homens! Afinal não eram homens, eram ratos! Ratazanas!

O Manuel continua a fugir do capitão correndo pelo barco, vira-se de repente confundindo o capitão que se desequilibra caindo à água.

Manuel – Este é o teu merecido castigo, cá se fazem, cá se pagam! Quem vai à guerra dá e leva! Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti! Ninguém te mandou ser pirata… Pirata da perna de pau, de olho de vidro e cara de mau!

Acendem-se as luzes e Joaquina encontra o Manuel com o lenço encarnado posto na cabeça.

Joaquina - Manuel, vem jantar e tira essa porcaria da cabeça!  Pareces um pirata!


FIM

A minha avó é a minha heroína.

A minha avó é a minha heroína.

     A minha avó é a pessoa mais dócil, mais querida e mais protetora que eu conheço.
     De três netos, de duas filhas, tinha um carinho especial pelo neto mais novo, o mais diferente, o pior e o melhor ao mesmo tempo.
    O neto que passava as tardes da sua infância ao lado da sua “segunda mãe”, o neto que pedia para almoçar com a sua avó, pois aquela gastronomia antiga enchia-lhe o coração de alegria.
      Aquele neto era eu, era eu que ia com a minha avó a todo o lado a pé com cinco anos ou menos.
     Eu estragava as flores que a minha avó tanto gostava de ver no seu quintal florido.
     Eu fazia-a rir quando tudo estava mal, pois a minha inocência era o motivo da sua alegria diária.
     Até aquele dia negro e obscuro ter aparecido e com ele desapareceu a cor do mundo.
    A minha heroína perdeu a visão.
    Nunca mais pôde ver o neto que tanto amava, as filhas que tanto amava e acima de tudo nunca mais pôde ver as flores que tinha plantado.
    Depois da visão, veio a perder a vida, quando o seu neto chorava pois a avó estava doente e na feira de São João recebeu a chamada que fez o seu mundo parar: “Filho, a avó foi ter com o avô”.  E, assim, a avó que ele tanto amava, a sua heroína, passou para um sitio onde pode guiar-me com visão e mais vida do que em terra.


João Galandim, 9ºF, Nº7