quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Pão por Deus, dia 1 de novembro

Pão por Deus




O Pão por Deus é um peditório ritual feito por crianças, embora antigamente participassem também os pobres, associado às práticas relacionadas com as refeições cerimoniais do culto dos mortos. Na Galiza o peditório tem o nome de migalho.
O peditório do Pão por Deus está associado ao antigo costume que se tinha de oferecer pão, bolos, vinho e outros alimentos aos defuntos. Era costume "durante o ano, nos domingos e dias festivos se oferecem por devoção picheis, ou frascos de vinho, e certos pães, que põe em uma toalha estendida sobre a sepultura do defunto, e uma vela acesa." Também se colocava pão, vinho e dinheiro no caixão do defunto para a viagem. No cânon LXIX do II Concílio de Braga do ano 572 proibia-se que se levassem alimentos à tumba. Os peditórios para as almas realizam-se ao longo do ano, em janeiro pelos caretos , durante a quaresma canta-se às almas santas  e faz-se um peditório (pedir as janeirinhas, pedir as maiaspedir os reizinhos são peditórios que tal como os dos caretos se inserem no ciclo dos peditórios rituais que têm lugar ao longo do ano) como o do de "andador de almas", que pedia esmolas pelas almas.
Nos Açores, acreditava-se que uma alma podia azedar o pão. Para que tal não acontecesse, o pão da primeira fornada, "o pão das almas", era colocado numa cadeira na rua à porta de casa, coberto por um pano, para que a primeira pessoa que passasse o levasse para si ou desse a alguém necessitado.
Peditório
Em Portugal, no dia 1 de novembroDia de Todos os Santos as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos bandos para pedir o pão por Deus (ou o bolinho) de porta em porta. O dia de Pão por Deus, ou dia de todos os fiéis defuntos, era o dia em que se repartia muito pão cozido pelos pobres. Registado no século XV como o dia em que também se pagava um determinado foro: "Pagardes o dito foro em cada hum ano em dia de pão por Deos".

             Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
À bela, bela cruz
Truz, Truz!
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar

Para vir dar um tostãozinho.
 

            
 Se dão doces:
Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.
            Se não dão doces:
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.

Esta casa cheira a unto

            Aqui mora algum defunto.
 


É também costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro. Já pedir o "santorinho", que começava nos últimos dias do mês de outubro, era o nome que se dava à tradição em que crianças sozinhas, ou em grupo, de saco na mão iam de porta em porta para ganhar doces.
As crianças quando pedem o Pão por Deus recitam versos e recebem como oferenda: pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, tremoços, amêndoas ou castanhas que colocam dentro dos seus sacos de pano, de retalhos ou de borlas. Em algumas povoações da zona centro e estremadura chama-se a este dia o Dia dos Bolinhos ou Dia do Bolinho. Os bolinhos típicos são especialmente confecionados para este dia, sendo à base de farinha, erva-doce com mel (noutros locais leva batata doce e abóbora) e frutos secos como passas e nozes.
São vários os versos para pedir o Pão por Deus:
Ó tia, dá pão por Deus?
Se o não tem Dê-lho Deus!

Ou então:

Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus.

Como não é muito aceitável rejeitar o bolinho às crianças, as desculpas eram criativas:
Olha foram-me os ratos ao pote e não me deixaram farelo nem farelote.

A quem lhes recusa o pão por Deus roga-se uma praga em verso ou deixa-se uma ameaça enquanto se fugia em grupo e entre risos
Senão leva com a caneca no focinho!
O termo caneca podia ser substituído por tranca ou cavaca (um pedaço de lenha).

Na primeira metade do século XX as crianças quando iam pedir o
Pão por Deus, acompanhadas por um adulto, levavam uma Coca iluminada:
Pão, pão por deus à mangarola,
encham-me o saco,
e vou-me embora.
Se não ficarem satisfeitos dizem:
O gorgulho gorgulhote,
lhe dê no pote,
e lhe não deixe,
farelo nem farelote.

Dae pão por Deus
Que vos deu deus
P'ra repartir
C'os fieis de deus
Pelos defuntos
De vo'meces...
Quando o peditório é infructuoso:
Tranca me dáes
fujo p'rá rua
E seja tudo
P'l'amor de deus
Versos dos Açores


"
Nesta mesma cidade de Coimbra, onde hoje [ano de 1963] nos encontramos, é costume andarem grupos de crianças pelas ruas, nos dias 31 de outubro e 1 e 2 de novembro, ao cair da noite, com uma abóbora oca e com buracos recortados a fazer de olhos, nariz e boca, como se fosse uma caveira, e com um coto de vela aceso por dentro, para lhe dar um ar mais macabro."
"Em Coimbra o peditório menciona «Bolinhos, bolinhós», e o grupo traz uma abóbora esvaziada com dois buracos a figurarem os olhos de um personagem e uma vela acesa dentro [...]"

As crianças e os adultos que participam nos peditórios representam as almas dos mortos que «neste dia erram pelo mundo», quando pedem pão para partilhar com as almas. O Pão por Deus é uma oferenda que se faz às próprias almas. Em Barqueiros, conselho de Mesão Frio, à meia-noite do dia 1 para 2 de novembro arranjava-se uma mesa com castanhas para os parentes já falecidos lá irem comer durante a noite “não devendo depois ninguém tocar nessa comida, porque ela ficava babada dos mortos”.
Na aldeia de Vila Nova de Monsarros, as crianças faziam os "santórios", recebiam fruta e bolos e cada criança transportava uma abóbora oca com figura de cara, com uma vela dentro.
Em Roriz não se chama Pão por Deus, nem bolinhos, nem santoros, a comezaina que se dá aos rapazes no dia de Todos os Santos ou de Finados. O que os rapazes vão pedir por portas, segundo lá dizem, é os Fiéis de Deus.
Nos Açores dão-se caspiadas às crianças durante o peditório, bolos com o formato do topo de uma caveira, claramente um manjar ritual do culto dos mortos.
Com o passar do tempo, o Pão por Deus sofreu algumas alterações, os meninos que batem de porta em porta podem receber dinheiro, rebuçados ou chocolates. Esta atividade é também realizada nos arredores de Lisboa. Antigamente relembrava a algumas pessoas o que aconteceu no dia 1 de novembro de 1755, aquando do terramoto de Lisboa, em que as pessoas que viram todos os seus bens serem destruídos na catástrofe, tiveram que pedir Pão por Deus nas localidades que não tinham sofrido danos.



O Pão por Deus é o pão, ou oferenda, que se dá aos mortos, o Molete ou Samagaio (Sabatina, Raiva da criança) o pão, ou oferendas que se dá quando uma criança nasce.
Nesta data, em Inglaterra pedia-se o "soul cake" (bolo das almas), que, supõe-se, terá dado origem à tradição do “trick or treat” nos Estados Unidos. Na Bretanha equivale ao rito do "bara ann anaon" ou pão dos mortos.

Património Imaterial Português
«A progressiva implantação do Halloween em Portugal constitui um exemplo de ameaça ou risco à continuidade do Pão por Deus como manifestação do Património Imaterial português, por várias razões. Em primeiro lugar, substitui os versos tradicionais, manifestações da tradição oral da comunidade, por expressões orais originárias do Inglês (Doçura ou travessura!/ “Trick or treat!”).
Em segundo lugar, introduz neste peditório cerimonial infantil o uso de máscaras e fatos muito semelhantes às usadas no Carnaval, mas que tradicionalmente eram totalmente ausentes do Pão por Deus.

Finalmente, e como bem expressam as alterações do nome da tradição, da forma e conteúdo da tradição oral, e também o tipo de máscaras que passaram a ser utilizadas pelas crianças, a introdução do “Halloween” eliminou por completo as conotações religiosas muito presentes na antiga tradição do Pão por Deus

Texto adaptado pela professora Mª José Sousa

Também há aulas na BE




segunda-feira, 12 de outubro de 2015

CELEBRANDO O MIBE



Mês internacional da biblioteca escolar 2015 - TOCA A TWEETAR

1 – TOCA A TWEETAR [-]

Os professores bibliotecários convidarão os elementos da comunidade educativa a escreverem tweets sobre o valor da biblioteca escolar (BE) no Twitter da BE, usando a hashtag #MIBE15.
Para poupar carateres, os adultos deverão apenas indicar no fim em que qualidade escrevem, usando uma das seguintes iniciais:
• Professor(a) – P
• Encarregado de Educação – EE
• Assistente técnico – AT
• Assistente operacional – AO
• Autarquia – A
• Outro – O
Os alunos deverão ser devidamente enquadrados pelo professor bibliotecário e indicar, no final do seu tweet, o ano e turma a que pertencem. Por exemplo: 5C.
A RBE irá selecionando as frases mais interessantes para publicar ao longo do mês no destaque que manteremos no portal.
No final do mês distinguir-se-á a BE que conseguir mobilizar, entre a sua comunidade educativa, mais pessoas paratweetar e que participe com tweets mais criativos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O que é o «bullying»?

     «É um termo introduzido por Dan Olweus quando pesquisava sobre tendências suicidas em jovens adolescentes. As suas investigações levaram-no a concluir que a maioria dos jovens que cometia estes atos tinha sofrido algum tipo de ameaça.
    É um subtipo de violência escolar; traduz-se num conjunto de comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos, levados a cabo por um ou mais alunos contra outro. Manifesta-se através de insultos, piadas, gozo, apelidos cruéis, entre outros.
        É uma forma de pressão social que acarreta muitos traumas na vida dos alunos que diariamente convivem com esta realidade, fazendo com que, muitas das vezes, condicionem o seu quotidiano às solicitações dos agressores.
        Na maioria dos casos há um comprometimento por parte das vítimas como forma de evitar novas retaliações, conduzindo assim, a situações anómalas, já que a obrigatoriedade do silêncio faz com que a maioria dos comportamentos seja evidenciado pelos efeitos dos danos desta pressão no rendimento escolar, por sintomatologia psicossomática, por fobia escolar, depressão.
       Na dinâmica Bullying alguém sofre de maneira direta as consequências da agressividade dos outros – a vítima. Este tipo de violência difere de outros devido à sua forma; é um comportamento agressivo intencional, repetitivo e evoca um desequilíbrio de poder (entre vítima e agressor) que se vai agravando com o passar do tempo e mediante a repetição dos actos.
      É mediante estes acontecimentos que quem é continuamente agredido faz uma leitura pessimista da sua capacidade para lidar com a situação, levando a que se favoreça a sensação de perda de controlo sobre a sua própria trajetória de vida e liberdade.»





Votação «Os Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa»

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O Projeto Adamastor lançou uma votação para apurar «Os Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa». As regras de participação são simples:
  • Podem ser indicados quaisquer romances originalmente escritos em português.
  • Não serão considerados títulos de menor extensão, como contos ou novelas, assim como os casos cuja classificação é mais problemática, de que é exemplo O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa.
  • Não existe qualquer restrição no que diz respeito ao número de obras por autor, isto é, podem ser indicados múltiplos romances escritos pelo mesmo autor.
Para participar basta preencher este formulário, indicando dez romances de autores lusófonos, por ordem de preferência, ordem essa que funcionará como principal ponderador no apuramento dos resultados finais.
A votação decorrerá até ao final do presente ano e os respectivos resultados serão anunciados em Janeiro de 2016.

Para o 3º Ciclo, Concurso Liberdade de Expressão e Redes Sociais



«O tema a trabalhar pelos alunos que queiram participar nesta 3.ª edição do concurso - alunos maiores de 13 anos, do 3.º ciclo e do secundário - é o "Cyberbullying". A abordagem pode ser feita de diferentes ângulos, de acordo com o Regulamento e apresentada em um de vários formatos à escolha -  textos, vídeos, podcasts, fotografias, desenhos ou animações. A participação não exige inscrição prévia, apenas o envio dos trabalhos candidatos para a SIC Esperança, até ao dia 18 de dezembro de 2015.»


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Implantação da República, 5 de Outubro de 1910

Implantação da República, 5 de Outubro de 1910

Viva a República!

O Dia Mundial do Professor celebra-se anualmente no dia 5 de outubro

O Dia Mundial do Professor homenageia todos os que contribuem para o ensino e para a educação da sociedade. Este dia promove todos aqueles que escolheram o ensino como forma de vida e que dedicam o seu dia-a-dia a ensinar, crianças, jovens e adultos. A mensagem do Dia Mundial do Professor está na dignidade e na importância do professor na sociedade, como construtor de pessoas. 

Origem da data 
A data foi criada pela UNESCO em 1994 com o objetivo de chamar atenção para o papel fundamental que os professores têm na sociedade e na instrução da população. 

Quentin Blake